quinta-feira, 29 de novembro de 2012

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Anita querida,

Você é tão linda quanto as memórias que tenho de quando tinha sua idade. Sei que eu me achava incrivelmente diferente das pessoas que dividiam a sala comigo, sentia que ali não preenchia as coisas que eu sentia, que pouquíssimas pessoas que entendiam o mundo do jeito que eu via, que sorria das mesmas coisas e ao mesmo tempo ninguém me ouvia, ninguém me acolhia como eu precisava. Mas isso era o que eu tinha para me sustentar. Eu ser diferente, mas ao mesmo tempo pensar que aquela época ia passar, e que tinha outras pessoas que também eram assim -em outro tempo, talvez- que também tinha que enfrentar muitas normas para ser bem vista, coisa que eu não queria, me obrigavam e eu acabava cedendo. Não me arrependo de ter sido obediente, de ter seguido essas tal normas mesmo que achando elas chatas. Se hoje eu te acho linda é porque o que eu vivi há dez anos foi lindo também e tenho muitas saudades, como a saudade que guardo agora de ti.

Até breve.

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